Camila Pimenta analisa a arquitetura de luxo para viver e investir em Bariloche

Arquiteta explica como empreendimentos de alto padrão, como o Arelauquen Golf & Country Club e o Llao Llao Resort, unem design, conforto, sustentabilidade e valorização patrimonial em um dos destinos de inverno mais desejados da América do Sul

Com a chegada da temporada de neve na Argentina, Bariloche volta a atrair um público que já não busca apenas o destino, mas a forma como esse destino é vivido. O interesse deixa de estar concentrado nas estações de esqui e passa a se direcionar para a qualidade dos espaços, para o tempo de permanência e para a experiência construída dentro dos empreendimentos. Esse movimento acompanha uma mudança clara no comportamento do mercado de alto padrão, em que a decisão não se orienta mais apenas por localização ou infraestrutura, mas pela forma como o espaço responde ao uso real ao longo dos dias.

À frente de projetos que posicionam a arquitetura como ferramenta estratégica de valorização patrimonial e construção de identidade, Camila Pimenta observa esse cenário a partir de uma leitura prática do luxo contemporâneo. Para ela, o valor desses empreendimentos está diretamente ligado à forma como o espaço é percebido na experiência, e não apenas ao que ele apresenta à primeira vista.

Quais características arquitetônicas fazem do Arelauquen Golf & Country Club um empreendimento de destaque?

O Arelauquen não se revela de forma imediata. Ele se constrói ao longo do percurso, e isso faz diferença. Ao circular pelo empreendimento, a percepção vai sendo conduzida. As vistas não são abertas o tempo todo, elas aparecem com intenção, criando momentos específicos de expansão e contenção. As construções mantêm uma linguagem comum, mas sem repetição direta, o que sustenta a unidade do conjunto sem torná-lo previsível. O valor do projeto está nessa inteligência, na forma como tudo se organiza para ser vivido, e não apenas observado.

O Llao Llao Resort é considerado um ícone da hotelaria de luxo. Quais elementos do projeto explicam esse reconhecimento internacional?

O Llao Llao se sustenta no uso. Os espaços são amplos, mas mantêm uma proporção que permite permanência, sem dispersão. A madeira não aparece como um elemento decorativo, ela constrói a atmosfera do lugar. A forma como a luz atravessa esses ambientes ao longo do dia transforma a percepção do espaço constantemente. A relação com a paisagem é muito bem controlada, as vistas são enquadradas, não estão em todos os lugares ao mesmo tempo, o que evita saturação e valoriza cada momento. É um projeto que se entende melhor ao longo da experiência.

Como a arquitetura pode valorizar a experiência de quem busca conforto em destinos de neve?

O conforto começa na transição entre o exterior e o interior. Quando se entra vindo do frio, o espaço precisa responder imediatamente. A luz muda, o ambiente desacelera, os materiais têm presença. Isso não se explica como recurso técnico, mas se percebe no uso. A forma como a vista é trabalhada também faz diferença. Abrir tudo não valoriza o entorno. Os projetos mais bem resolvidos escolhem o que mostrar e criam pontos de permanência. Existe ainda uma qualidade essencial, que é o silêncio. Ambientes menos carregados permitem que a experiência aconteça com mais clareza. Arquitetura bem resolvida nesses destinos faz com que o tempo dentro do espaço se prolongue naturalmente.

Quais tendências internacionais de arquitetura e interiores estão presentes nesses empreendimentos?

Existe uma redução clara de excessos e uma busca maior por precisão. A materialidade ganha protagonismo, mas de forma mais direta, sem tratamentos que descaracterizem sua essência. Madeira, pedra e metal passam a estruturar o espaço. A integração entre arquitetura e interiores se torna natural, sem ruptura de linguagem. O foco deixa de ser o impacto imediato e passa a ser a consistência ao longo do tempo, o que muda a forma como esses projetos são concebidos.

Quais soluções arquitetônicas são utilizadas para enfrentar as baixas temperaturas sem abrir mão do design e da sustentabilidade?

O desempenho térmico já é uma premissa. O que diferencia um projeto é a forma como essas soluções são incorporadas. Quando aparecem de forma evidente, interferem na leitura do espaço. Quando são bem resolvidas, desaparecem. O uso de materiais com maior massa contribui para estabilidade térmica e melhora a experiência interna. Sustentabilidade, nesse contexto, não está na quantidade de soluções, mas na qualidade das decisões desde o início do projeto.

Na sua visão, quais são as principais tendências para o mercado de arquitetura e imóveis de luxo em destinos de montanha nos próximos anos?

O mercado está mais atento à experiência real. O cliente busca entender como o espaço funciona ao longo do tempo, e não apenas como ele se apresenta. Isso leva a projetos mais precisos, mais conectados ao contexto e menos dependentes de efeito imediato. A permanência passa a ser um critério central. Em destinos de montanha, onde a paisagem já tem protagonismo, a arquitetura se diferencia pela capacidade de saber até onde intervir.

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