Da cozinha de casa à retomada da loja: a trajetória da Mr Cheesecake

Marca criada em 2015 atravessou expansão, pandemia e uma pausa antes de retomar as atividades com nova sociedade

Em 2015, Ruby Zucker começou a produzir cheesecakes na cozinha de casa para amigos e familiares. Sem loja física ou uma operação estruturada, a proposta inicial era testar a demanda por uma versão artesanal da sobremesa nova-iorquina.

As encomendas cresceram por indicação. Aos poucos, o produto deixou de ser apenas uma produção doméstica para se transformar na Mr Cheesecake Bake Shop & Deli.

A ideia teve origem em uma referência familiar. Ruby se inspirou em um tio que manteve uma deli em Nova York. A lembrança orientou a escolha do produto, do nome da empresa e, posteriormente, do cardápio, que passou a reunir cheesecakes, bagels e sanduíches.

A história ocorreu em um país no qual empreender permanece entre os principais projetos profissionais. Segundo o Global Entrepreneurship Monitor, aproximadamente 46,9 milhões de brasileiros entre 18 e 64 anos estavam envolvidos em negócios iniciais ou estabelecidos em 2024. Ter o próprio negócio aparecia como sonho de 34,3% dos entrevistados.

No setor de alimentação, porém, transformar uma receita em empresa exige organizar custos, estoque, fornecedores, produção, segurança alimentar, atendimento e formação de preços.

Após quatro anos trabalhando principalmente com encomendas, a Mr Cheesecake inaugurou sua primeira unidade física em 2019, na Vila Madalena. A transição ampliou o alcance da marca, mas também elevou os custos fixos e a complexidade da operação.

Poucos meses depois, o setor gastronômico foi atingido pela pandemia. Em 2023, questões de saúde relacionadas à Covid-19 levaram à interrupção das atividades. A retomada aconteceu em fevereiro de 2025, depois de uma reformulação e da entrada da família Mazon na sociedade.

O recomeço ocorreu em um setor marcado por margens apertadas. Pesquisa da Abrasel mostrou que, em junho de 2025, apenas 32,5% das microempresas de alimentação fora do lar registraram lucro. Outras 45% operaram em equilíbrio e 22% tiveram prejuízo. Entre essas empresas, 44% estavam com pagamentos atrasados e 42% não haviam conseguido reajustar os preços para acompanhar a inflação.

Os números mostram por que o controle financeiro se torna decisivo quando um negócio deixa a cozinha doméstica e assume uma loja. O crescimento das vendas não significa necessariamente aumento do lucro, especialmente quando aluguel, equipe, insumos e taxas de aplicativos passam a integrar a estrutura.

Na retomada da Mr Cheesecake, a empresa ampliou o cardápio para aumentar as ocasiões de consumo. A cheesecake permaneceu como carro-chefe, mas ganhou a companhia de cookies, tortas, bolos, bagels, sanduíches, hot dogs e bebidas.

A estratégia busca reduzir a dependência de um único produto. Enquanto uma sobremesa pode ter consumo mais eventual, a oferta de cafés, refeições e lanches permite receber clientes em diferentes horários.

A nova loja possui cerca de 50 lugares e foi pensada para refeições, reuniões, trabalho remoto, aniversários e confraternizações. A empresa também atua com encomendas e delivery, distribuindo a operação entre canais presenciais e digitais.

A trajetória iniciada em 2015 segue em expansão. O negócio passou por produção caseira, abertura da primeira loja, pandemia, interrupção, entrada da família Mazon na sociedade e reinauguração. Cada fase exigiu uma decisão diferente: validar o produto, profissionalizar a produção, controlar os custos e reconstruir a operação.

O produto criado na cozinha de casa continua sendo o principal elemento da marca. Agora, porém, faz parte de uma operação mais complexa, que busca equilibrar identidade, experiência do consumidor e rentabilidade.

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