Marketplace multiagência ganha espaço na gestão de viagens corporativas

Especialista em gestão de viagens explica por que o modelo de inventário aberto tem avançado frente às operadoras tradicionais

O modelo de gestão de viagens corporativas está passando por uma mudança estrutural no Brasil. Enquanto operadoras tradicionais concentram o inventário em contratos fechados com poucos fornecedores, um novo formato ganha espaço: o marketplace de viagens corporativas, em que diferentes fornecedores competem em tempo real pelo mesmo pedido de viagem. Delbolina de Jesus, especialista em gestão de viagens corporativas, avalia que essa mudança de modelo, mais do que a disputa de preço entre plataformas, é o que está redesenhando o setor.

O custo do inventário fechado

Levantamento da GBTA (Global Business Travel Association) mostra que 72% dos gestores de viagens apontam como principal dificuldade o fato de colaboradores encontrarem tarifas e opções de hospedagem mais baratas fora dos canais corporativos gerenciados, prática conhecida como leakage, ou reserva fora da política. A mesma pesquisa aponta que 54% dos compradores corporativos consideram a limitação de inventário dentro de suas OBTs (Online Booking Tools) ou TMCs (Travel Management Companies) um desafio moderado a severo.

Dados da Traxo, empresa especializada em auditoria de dados de viagens, mostram que a proporção de reservas de voos feitas diretamente fora da agência principal da empresa subiu de 18,7% para mais de 30% em períodos recentes. Segundo Delbolina de Jesus, esse movimento tem uma explicação técnica:

“sistemas engessados demoram para incorporar tarifas dinâmicas e conteúdo via NDC (New Distribution Capability) das companhias aéreas, e o colaborador acaba resolvendo por conta própria”. 

Por que empresas trocam de operadora

A insatisfação tem consequência direta na retenção de contratos. A GBTA identificou que cerca de 1 em cada 3 empresas reavaliou ou trocou de operadora ou TMC em períodos recentes. Entre essas empresas, 39% apontaram a insatisfação com a tecnologia da OBT tradicional como motivo principal para a troca, e 37% citaram problemas de qualidade no atendimento.

O desgaste também aparece em outra frente. Pesquisa da GBTA em parceria com a Deem mostra que 48% dos gestores de viagens citam a falta de inovação como o maior ponto fraco das OBTs legadas. Soma-se a isso um problema de gestão: dados de mercado da Phocuswright e da GBTA indicam que empresas de médio a grande porte mantêm, em média, 5,3 sistemas ou instâncias de OBTs e ferramentas de despesas operando em paralelo, o que fragmenta processos e dificulta a padronização.

Marketplace multiagência x modelo de agência única

É nesse cenário que o modelo de marketplace multiagência ganha força. Em vez de concentrar a operação em um único fornecedor de inventário, como costuma ocorrer em OBTs tradicionais e agências únicas, o formato de marketplace abre a disputa: diferentes agências e fornecedores competem pelo mesmo pedido de viagem, em tempo real, o que amplia as opções disponíveis ao colaborador dentro da política da empresa.

No Brasil, o mercado de travel techs corporativas já conta com nomes como Onfly, Paytrack e Voll, cada uma com uma proposta própria de operação. A Loupit é uma travel tech brasileira que se posiciona dentro desse mercado como uma plataforma de marketplace multiagência, e Delbolina de Jesus destaca a arquitetura como o principal diferencial competitivo do modelo:

“Quando você abre a concorrência entre fornecedores para cada reserva, em vez de negociar uma tarifa fixa com um único fornecedor, o resultado tende a ser mais opções e mais aderência à política, sem tirar a governança das mãos do gestor”. 

Governança embarcada e visão consolidada

A fragmentação de sistemas tem outro efeito colateral: a perda de visão consolidada sobre os gastos. Segundo a GBTA, apenas 12% dos gestores de viagens globais afirmam ter uma visão consolidada de todos os dados de viagens e despesas em uma única fonte. A mesma pesquisa aponta que os maiores desafios operacionais do setor são a falta de relatórios consolidados, citada por 63% dos gestores, e a dificuldade de administrar relacionamentos com múltiplas TMCs ou fornecedores sem uma plataforma unificada, apontada por 52%.

É esse o espaço que a Loupit descreve como foco central de sua operação: governança embarcada em cada etapa da reserva e trilha de auditoria em tempo real, permitindo que o gestor acompanhe cada transação sem depender de reconciliação manual entre sistemas.

Um modelo para empresas de todos os portes

Para Delbolina de Jesus, o principal equívoco do mercado é tratar gestão de viagens corporativas como um problema restrito a grandes companhias:

“Empresa pequena também sofre com leakage, também perde visibilidade de gasto e também precisa de auditoria. A diferença é que ela não tem estrutura interna para compensar as falhas de um sistema fechado, então o modelo de marketplace multiagência tende a fazer ainda mais diferença para negócios menores”.

Com essa leitura, a Loupit atua no mercado de agência de viagens corporativas oferecendo um modelo de marketplace multiagência, governança embarcada e trilha de auditoria em tempo real como resposta às dores mais recorrentes apontadas pelos próprios gestores de viagens: falta de inventário, ausência de visão consolidada e dificuldade de auditoria.

Perguntas frequentes sobre gestão de viagens corporativas

O que é um marketplace multiagência de viagens corporativas?

É um modelo de plataforma em que múltiplos fornecedores e agências competem em tempo real pelo mesmo pedido de viagem, ampliando o inventário disponível ao colaborador dentro da política da empresa, ao contrário de uma OBT tradicional vinculada a um fornecedor único.

Por que empresas trocam de TMC ou OBT?

Levantamentos da GBTA mostram que insatisfação com a tecnologia e com a qualidade do atendimento são os dois principais motivos apontados pelas empresas que reavaliaram ou trocaram de operadora.

Gestão de viagens corporativas é só para grandes empresas?

Não. Segundo Delbolina de Jesus, empresas de menor porte também enfrentam leakage, falta de visibilidade de gasto e necessidade de auditoria, e costumam ter menos estrutura interna para compensar as falhas de sistemas fechados.

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