Para Tayane Dalazen, o maior luxo é viver no ritmo do mar

Advogada e surfista encontra no esporte uma forma de reorganizar as prioridades e traduz, na vida real, a simplicidade que virou referência para grandes marcas de luxo

O surfe voltou a ocupar espaço nas passarelas internacionais. Pranchas, bermudas largas, camisas leves e referências ao estilo de vida praiano apareceram em coleções recentes de marcas como Louis Vuitton e Miu Miu. A moda parece ter encontrado no mar uma resposta ao excesso: menos rigidez, mais conforto e uma vontade evidente de viver de maneira mais simples.

Para Tayane Dalazen, porém, essa ideia não começou no guarda-roupa. Advogada, mestre em Direito e Processo do Trabalho e surfista, ela aprendeu na prática que a simplicidade proposta pelo esporte não significa ausência de disciplina. Significa saber o que merece ocupar espaço.

Conciliar a carreira jurídica com os treinos exige planejamento. Nem sempre o mar respeita horários, compromissos ou uma agenda montada com antecedência. O vento muda, a formação das ondas também, e a rotina precisa acompanhar esse movimento.

“O surfe não simplificou a minha agenda, mas simplificou as minhas prioridades. Quando estou no mar, percebo com mais clareza o que realmente importa e o que era apenas barulho”, afirma Tayane.

A relação com o esporte também levou a advogada a buscar uma preparação mais intensa. Nos últimos meses, ela ampliou os treinos voltados à evolução técnica e à alta performance, treinando com Allan Menache, treinador físico do tricampeão mundial de surf, Gabriel Medina.

Em janeiro, essa conexão foi colocada à prova após Tayane ser mordida por um tubarão-lixa durante um mergulho em Fernando de Noronha. Depois da recuperação, ela retornou ao mar, voltou a surfar e não transformou o animal em vilão. O episódio reforçou a defesa de uma convivência mais consciente com a vida marinha, baseada em informação, responsabilidade e respeito pelo ambiente natural.

Seu retorno também mostrou que a relação com o oceano era maior do que o medo provocado pelo incidente.

“Eu me reconheci nessa ideia de que o luxo atual está na simplicidade. Para mim, luxo é ter saúde, tempo, liberdade e a possibilidade de entrar no mar. Não é sobre abandonar responsabilidades, mas sobre não permitir que elas nos afastem completamente daquilo que nos faz bem”, diz.

Ao transformar a estética do surfe em referência, as grifes captaram um desejo que já ultrapassou a moda: a busca por menos excesso, mais natureza e uma vida com algum espaço para respirar.

Tayane vive essa mudança fora das passarelas. Entre a carreira, os treinos e as viagens, ela encontrou no surfe não uma fuga da realidade, mas uma maneira mais consciente de enfrentá-la.

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