Ratanabá: Urandir Fernandes de Oliveira e o mapeamento a laser da Amazônia

Sobrevoos com LiDAR e georradar revelam ruas, quadras e galerias subterrâneas em área da Amazônia; relatório prevê envio ao IPHAN
Por Redação|29 de setembro de 2026

Ratanabá, apontada por Dakila Pesquisas como uma antiga cidade sob a Floresta Amazônica, voltou ao centro das atenções com o mapeamento a laser conduzido pela equipe de Urandir Fernandes de Oliveira. Segundo o grupo, sobrevoos com tecnologia LiDAR revelaram padrões geométricos no solo que sugerem ruas, quadras e galerias subterrâneas.



Formação de pedra coberta por vegetação, registrada em meio à mata. Foto: Dakila Pesquisas.



Como o mapeamento foi feito

Os sobrevoos ocorreram em 31 de maio e 1º de junho de 2022. De acordo com o site do grupo, foram usadas aeronaves como o Seneca II, equipado com LiDAR, além de um Cessna 210L Centurion e um Cessna 206. O LiDAR emite pulsos de laser que atravessam a copa das árvores e permitem representar o relevo sem desmatar, o que torna visíveis formas no solo que passam despercebidas a olho nu.

A pesquisadora Fernanda Lima acompanhou os voos e comentou na ocasião: “Com a mudança de horário e luz com certeza teremos mais surpresas”. A observação resume a lógica do método, já que a iluminação e o ângulo de varredura influenciam o que os dados mostram.



O que os dados indicam, segundo o grupo

Em relatório divulgado em 12 de julho de 2023, o grupo descreve a área chamada de Quadras de Ratanabá, em Apiacás (MT). As medições citadas apontam quadras de 450 por 650 metros, ruas de 60 a 90 metros de largura, algumas com até 27 quilômetros de comprimento, e galerias subterrâneas de 15 metros de largura por 4 de altura, com mais de 1 quilômetro de extensão. O texto fala também em cavidades circulares de 8, 27 e 48 metros de diâmetro, a maioria em forma espiralada.

Além do LiDAR, os pesquisadores recorreram a GPR, o radar de penetração no solo, e a GPS de campo. Ainda segundo o grupo, estruturas semelhantes teriam sido identificadas em outras áreas da Amazônia, como Manaus, São Gabriel da Cachoeira, Lábrea e Serra da Muralha.



Pesquisadores em trabalho de campo, com equipamento de controle de voo, na mata. Foto: Dakila Pesquisas.



Pareceres e encaminhamento ao IPHAN

O relatório reúne pareceres de cinco especialistas: o arqueólogo e geógrafo Saulo Ivan Nery, o historiador André de Pierre, editor da Revista Enigmas, o professor doutor Tadeu Leonardo Soares e Silva, da UERJ, Francisco Pedro Charu Neto e Márcio Pichel, diretor do Instituto Licentia. O material é comunicado ao IPHAN, órgão responsável pelo reconhecimento e pelo registro do patrimônio arqueológico no país, e o acompanhamento dos protocolos segue junto a especialistas e instituições competentes.

O nome também tem explicação própria. Segundo o grupo, Ratanabá significa “dos reinos para o mundo” na língua irdin e teria sido a capital da civilização Muril, apontada como a primeira a habitar a Terra. Ratanabá, segundo Urandir, é um legado deixado por essa civilização.

Registros do trabalho de campo são divulgados no Instagram de Urandir Fernandes de Oliveira.

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